Sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 -
Agronegócio

Barra Direto / JAIRO PITOLE SANTANA

24/10/2016 11:51:00

MT na contramão?

Reprodução

O cupido dos grandes (e sempre em escala crescente) números do agronegócio, segundo os dados de 2015 do IBGE, ainda não flechou os corações dos piscicultores mato-grossenses. Pelo segundo ano consecutivo, o Estado perde tanto em produção como espaço no ranking nacional.

Quando o IBGE começou mensurar a produção da aquicultura brasileira, em 2013, Mato Grosso surgiu como o grande campeão nacional, com 75,6 mil toneladas, quase um quinto (19,3%) de toda a produção nacional. Rondônia, hoje em primeiro lugar no ranking com 84,5 mil toneladas, era apenas o quinto colocado, atrás de Paraná, Ceará e São Paulo.

Desde então, a produção mato-grossense ao invés de crescer, como se esperava e se previa, regrediu. Em 2014, quando perdeu a liderança para Rondônia, mas manteve a segunda colocação, caiu para 60,9 mil toneladas.

Já em 2015, último levantamento do IBGE, a perda foi bem maior – com 47,4 mil toneladas, Mato Grosso produziu menos 22,2% em relação ao ano anterior e 37,3% em relação a 2013. Conclusão, caiu para a terceira colocação no ranking, com Paraná ocupando o segundo lugar, enquanto Rondônia permanece na liderança. Sorriso, que já foi o maior município produtor, também foi substituído por Rio Preto da Eva (AM), com 14,1 mil toneladas.

Há duas versões para esta queda na produção estadual. Enquanto alguns afirmam que estes números estão subestimados por falta de envio de informações corretas ao IBGE, outros simplesmente desacreditam destes números. Alegam serem políticos, como na época, citam, em que Marcelo Crivella, que disputa o segundo turno das eleições cariocas, era ministro da Pesca e Aquicultura. 

De qualquer forma, Mato Grosso, produtor de peixes nativos, cujo mercado cresce 25% ao ano, segundo a Embrapa, está contramão.

Segundo dados da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), a produção desta espécie já ultrapassou a tilápia (embora os números do IBGE de 2015 digam o contrário). De 638 mil toneladas (novamente os números não batem com os de 2015 do IBGE, que registrou 483,2 mil toneladas) produzidas anualmente no País, 300 mil são de tilápia e o restante de peixe nativo.

Ao que indica, esta produção ainda é insuficiente para atender o mercado nacional, embora a proteína do peixe seja a mais cara. Até agosto deste ano, o Brasil importou pouco mais de 250 mil toneladas, num total de US$ 747,4 milhões.

Um dinheiro que poderia ser investido na ampliação dos mais de 1  milhão de empregos – diretos e indiretos, segundo a Peixe BR – que a atividade gera hoje no país. Pelo menos, os números indicam que o mercado está pra peixe.

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