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Brasil

G1

31/10/2016 23:29:00

Senador diz que parte dos alunos está em ocupações para "fumar maconha"

Fala de José Medeiros (PSD-MT) gerou discussão no plenário do Senado. Oposicionistas classificaram declaração de 'desrespeito' e 'absurdo'.

Reprodução

Senador José Medeiros (PSD) causa polêmica após declaração sobre estudantes

O senador José Medeiros (PSD-MT) provocou uma discussão no plenário do Senado na tarde desta segunda-feira (31) ao afirmar que “boa parte” dos alunos que está ocupando escolas pelo país para protestar contra a reforma do ensino médio e a proposta que estabelece um teto para os gastos públicos federais aderiu ao movimento “para fumar maconha”.

O parlamentar mato-grossense disse ainda que uma parcela dos estudSegundo levantamento do G1, 21 estados e o Distrito Federal tinham escolas e institutos ocupados por estudantes até a última quinta-feira (27). A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) apontou que havia 1.154 ocupações em escolas, institutos e universidades estaduais, federais e municipais.

“Eu vou te falar uma coisa: desses meninos que estão na escola, boa parte, tem uns lá que é para fumar maconha. Estão indo lá para fumar maconha e matar os outros. Acabaram de matar um”, discursou José Medeiros no plenário do Senado.

A fala do parlamentar do PSD gerou reação de senadores petistas que estavam no plenário.

“Que desrespeito! O que é isso, senador?”, protestou Fátima Bezerra (PT-RN).

“Senador Medeiros, isso é um absurdo”, exclamou Lindbergh Farias (PT-RJ).

Em resposta às críticas dos oposicionistas, o parlamentar do Mato Grosso alegou que parte dos estudantes que está ocupando as escolas “foi levada” por militantes petistas.

“Você chega para os meninos, para boa parte deles, e pergunta: 'Você sabe por que você está aqui?’ 'Ah, porque eu sou contra a PEC do ensino.' 'O que diz ela?' 'Eu não li.' Boa parte deles. Essa é a verdade”, argumentou Medeiros.

“Então, os pais que estão deixando os seus filhos lá saibam que os seus filhos estão correndo risco de vida”, acrescentou o senador do PSD.

Em seguida, Fátima Bezerra pediu a palavra para dizer que repudiava as declarações do colega de Senado.

“Não repita mais isso! Não venha mais aqui agredir estudantes! Não use mais o microfone desta Casa para insultar estudantes, para humilhar estudantes, para desrespeitar estudantes! É um desserviço à luta em defesa da educação do país”, reclamou a petista.

A estudante Ana Júlia Ribeiro concedeu entrevistas e tirou selfies ao participar de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado (Foto: Gustavo Garcia / G1)
A estudante Ana Júlia Ribeiro concedeu entrevistas e tirou selfies ao participar de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado (Foto: Gustavo Garcia / G1)

 

'Manifestação legítima'


Na manhã desta segunda-feira, durante audiência pública destinada a debater eventuais impactos da PEC do teto de gastos na área da educação, a estudante paranaense Ana Júlia Ribeiro, 16 anos, defendeu que é "legítima" a manifestação dos estudantes por meio da ocupação de escolas.

A jovem deixou o anonimato e viralizou nas redes sociais depois de discursar na semana passada na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná para defender a ocupação do Colégio Estadual Senador Alencar Guimarães, de Curitiba.

Na ocasião, Ana Júlia disse que as mãos dos deputados estaduais do Paraná estavam “sujas” com o sangue do adolescente Lucas Mota, morto dentro de uma escola ocupada pelo movimento estudantil.

Convidada a participar nesta segunda de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, ela ressaltou que o movimento secundarista não tem ligações com partidos políticos.

“Queremos escolas para todos, com infraestrutura, uma escola que passe para a gente o ensino da cidadania”, disse a estudante do Paraná.

Ana Júlia também disse que os estudantes que ocuparam centenas de escolas pelo país têm sofrido “repressão violenta” de pessoas contrárias ao movimento.antes que criticam a definição de um limite para as despesas públicas sequer leu o texto da Proposta de Emenda à Contituição (PEC).

“Infelizmente, nós temos sofrido repressão de movimentos contrários. E a repressão está sendo violenta. Repressão que, na calada da noite, passa nas escolas. Repressão que passa com som alto, tocando o Hino Nacional, como se nós não respeitássemos o Hino”, destacou a estudante.

A aluna paranaense também afirmou que os parlamentares que votarem a favor da PEC do teto ficarão com as “mãos sujas” por 20 anos.

“Em relação à PEC 55, a antiga PEC 241, eu quero dizer uma coisa: aqueles que votarem contra a educação estarão com as mãos sujas por 20 anos”, complementou a estudante, sob aplausos dos parlamentares e convidados da Comissão de Direitos Humanos.

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