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Barra Direto com Olhar Direto / WESLEY SANTIAGO

16/03/2017 10:53:00

Pedreiro de MT supera dificuldades, se forma em direito e consegue bolsa para fazer pós-graduação

Reprodução

Começar uma faculdade não é uma tarefa fácil, terminá-la é um caminho ainda mais longo. Para o pedreiro Ronaldo Adriano Mendonça, 34 anos, o trajeto foi ainda mais difícil. Ele conseguiu conciliar o trabalho pesado na construção civil e se formar em Direito em uma faculdade particular de Cuiabá. Agora, ele conseguiu uma bolsa e fará pós-graduação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
 
Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, ele contou que “no começo não é fácil. Comecei fazendo engenharia, pelo FIES. Mas o curso é muito difícil, eu chegava sempre cansado por conta do meu serviço, acabei desistindo no terceiro semestre. Como eu tinha feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), consegui bolsa do ProUni e iniciei o curso de direito”.
 
Ronaldo então ingressou na Unirondon: “Fui me adaptando, é um curso que exige, precisa de muita leitura, fui levando a sério e consegui me formar em dezembro de 2016. Fiz o primeiro exame da ordem, mas não consegui passar. Depois, tentei novamente e tive êxito. Tudo isto foi estudando sozinho, da minha maneira e conciliando com meu serviço”.
 
Muitas vezes, Ronaldo atravessava a madrugada estudando e tirava o dia de descanso nos feriados para se dedicar ao curso. “Eu saia de casa às 06 horas e trabalhava até por volta das 18 horas. De lá, eu seguia para a aula e muitas vezes não aguentava ficar, vinha embora. Variava muito o tipo de serviço, as vezes o sol era muito”.


 
Quando iniciou a faculdade, Ronaldo era servente de pedreiro. Ele também virou exemplo dentro de casa e entre a própria família: “Tenho um filho de 11 anos, ele sempre tira boas notas, fico pegando no pé dele para que estude. Não posso pagar um curso de inglês, mas falo para ele estudar pela internet. Minha família é toda humilde. A minha mãe é costureira e se formou há pouco tempo em serviço social. Minha tia, de tanto eu pegar no pé, também formou em pedagogia. Uma prima minha conseguiu vaga na UFMT também”.
 

Agora, o advogado conseguiu uma bolsa para fazer pós-graduação na UFMT: “Não pretendo parar por aqui. Apesar das dificuldades, eu sigo firme. Em abril, começo a minha pós. Tem alguns concursos que a gente está olhando, ainda não tive oportunidade para começar a atuar como advogado. Não fiz estágio durante o curso, deixe de aprender um pouco sobre a vida profissional. Isso porque eu trabalhei um mês e meio no Ministério Público Estadual (MPE), mas o salário era pouco. Não tinha como eu sobreviver fazendo isso. Desisti e retornei para o canteiro de obras”.
 
Ronaldo ainda não chegou ao final do seu caminho, mas continuará conciliando a difícil jornada como pedreiro para concluir também a sua pós-graduação: “Vou continuar me dedicando ainda mais. Sei que tenho potencial e que posso conseguir”.

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