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Saúde

Barra Direto / JONATAM MATOS

26/06/2017 13:43:00

Após investigação do Ministério da Saúde, surto de tuberculose em 2016 nas aldeias Xavante é descartado

Na época, cerca de 300 índios de aldeias Xavante de MT tinham tuberculose segundo diagnóstico, fato que não foi comprovado após levantamento técnico pelo EpiSUS a pedido do coordenador do DSEI Xavante, Joel Góes.

Reprodução

No mês de Abril de 2016, o coordenador do Distrito Sanitário de Saúde Especializado Xavante, Joel Góes, buscou junto aos gestores do PNCT, do Ministério da Saúde, apoio técnico no esclarecimento do alto índice de casos notificados de tuberculose no Polo Base de Campinápolis, a 565 km de Cuiabá, onde vivem cerca de 10 mil índios, foi feita uma reanálise de todos os casos tidos como tuberculose naquela localidade, e qualificação dos profissionais envolvidos, uma vez que esses diagnósticos estavam sendo realizados apenas pelas queixas clínicas e análise radiológica por parte do EMSI, porque o laboratório municipal da cidade não estava realizando a bacilos copia, exame este que diagnostica precisamente a doença.

O EpiSUS (Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS), esteve no Polo Base de Campinápolis, no período de 15 de maio a 10 de junho de 2016. Onde tiveram a seguinte discussão e conclusão:

- Durante a investigação foram avaliados, um total de 319 casos e entrevistas com pacientes e revisão de prontuários, cujo apoio diagnóstico contou com a realização de 79 (setenta e nove) testes rápidos para detecção do DNA da tuberculose, 79 (setenta e nove) bacilos copia de escarro, resultando em 1 (um) caso positivo. O PNCT/MS avaliou 239 Raio-X de tórax destes 188 estavam dentro da normalidade, 47 com outras patologias e 02 com diagnóstico para tuberculose. No Polo Base de Campinápolis no ano de 2016 foram notificados 199 casos de tuberculose sendo 56 encerrados por mudança de diagnóstico, totalizando 143 casos tratados.

Segundo o relatório final da investigação de casos de tuberculose em aldeias indígenas do Distrito Sanitário Especial Indígena Xavante. (memorando circular n° 1/2017/CIEVS/DEVIT/SVS/MS) “Previamente a investigação, nas micro áreas do Polo Base de Campinápolis, observou-se incidência elevada dos casos de tuberculose. Todavia, este achado foi com base na notificação dos casos confirmados por critérios clínicos e exame radiológico suspeito. Após a investigação, mesmo com a possibilidade de confirmar o diagnóstico baseado na história clínica e em resultados de exames complementares como raio-X, o surto não foi confirmado nas aldeias indígenas”.

O Coordenador de Saúde Indígena do DSEI Xavante se manifestou a respeito do resultado da investigação, “quando eu ingressei no DSEI Xavante como Coordenador no início de 2016, existia um mito muito grande da tuberculose em Campinápolis, onde foi veiculada matéria jornalística no Portal G1 que a tuberculose em Campinápolis era a maior do planeta, onde superava todos os índices de indicador do mundo e foi veiculado também na época pelo site Água Boa News que Campinápolis tinha mais de 300 casos confirmados chegando a suspeita de 1.000 mil casos da doença. Eu coordenei imediatamente uma força tarefa convidando a coordenação de tuberculose do Ministério da Saúde que prontamente nos atendeu, nós conseguimos trazer o EpiSUS, convidamos o município de Campinápolis através da Secretaria Municipal de Saúde, juntamente com a equipe do DSEI Xavante para solucionar o problema, onde nós trouxemos do Estado do Amazonas, um aparelho de alta precisão através do Ministério da Saúde para fazer esses exames e análises, e também foi mandado várias lâminas para exames no Estado do Rio de Janeiro, e como eu já tinha essa suspeita após os resultados, a tuberculose em Campinápolis era mais psicológica do que real, então as sintomáticas que existia lá era mais mito do que verdade, e foi constatado pelos peritos do EpiSUS do Ministério da Saúde e pelos técnicos laboratoriais do Rio de Janeiro que de fato não existiu esses casos de tuberculose nas aldeias no âmbito do DSEI Xavante naquela época. Isso é maravilhoso, e eu me sinto realizado em ter conseguido essas informações, essa confirmação de que o fato não passou de um grande equívoco”, disse Joel Góes, Coordenador do DSEI Xavante.

“Nunca medi esforços para solucionar essa questão da tuberculose, e tenho lutado constantemente para poder melhorar a saúde indígena enquanto coordenador, e conto com o apoio incondicional do Deputado Federal Valtenir Pereira que é o responsável junto ao Governo Federal pela saúde indígena em Mato Grosso, a nossa parceria tem gerado frutos e melhorado o atendimento do povo indígena nas unidades de saúde dos municípios”, concluiu Joel Góes.

Neste ano de 2017 até o momento foram notificados 07 casos de tuberculose em todo o DSEI Xavante todos foram pela clínica epidemiológica, radiológica e laboratorial. As equipes estão sempre vigilantes, e quando detectado algum sintomático respiratório é encaminhado para a referência para investigação. No mês de Abril as equipes foram capacitadas no Manejo Clínico da Tuberculose pela SES/MT.

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