Quinta-feira, 18 de outubro de 2018 -
Saúde

Barra Direto / FERNANDA SOARES

18/07/2017 08:49:00

Coordenador Distrital de Saúde Indígena conta desafios e expectativas de seus 20 meses de gestão

Arquivo / Assessoria

Desde o ano de 2010 a cidade de Barra do Garças possui uma unidade de serviço que tem por finalidade o atendimento da população indígena, o Distrito Sanitário Especial Indígena Xavante. Joel Hipólito Lima Góes, 53 anos, atua há vinte meses como coordenador Distrital de Saúde Indígena da unidade. A principal expectativa, segundo ele, para os primeiros meses a frente do cargo era criar um modelo de gestão em estreita articulação com Sistema Único de Saúde (SUS), voltado a agilidade, resolutividade e com respeito às especificidades da Saúde Indígena e suas práticas tradicionais.

Barra Direto: Você enfrentou dificuldades durante os 20 meses de gestão? Se sim, quais?

Joel Hipólito: Obviamente que essa gestão, cuja responsabilidade sanitária propõe a assistência a quase 300 Aldeias, instaladas em 9 Terras Indígenas, com quase 20.000 indígenas e mais 600 funcionários/servidores, e com um perfil de morbimortalidade preocupante, nos estabelece desafios. As peculiaridades e especificidades etno culturais e sociais do povo Xavante exigem que a atenção à saúde ultrapassem barreiras institucionais com vistas a promover parcerias setoriais voltadas à segurança alimentar, melhorias das estradas de acesso às Aldeias, agilidade nos atendimentos do SUS etc. Muitas perspectivas que vem sendo superadas a cada dia e com base em muitas discussões, especialmente por meio dos movimentos indígenas. Todos são conhecedores que a demanda dessas necessidades é reprimida e desencontrada da disponibilidade orçamentária, e a melhoria das condições tanto de trabalho como de saúde dessa população vem sendo alcançada com muito esforço. A lentidão burocrática administrativa é desfavorável, considerando a necessária agilidade dos processos de compras, contratações de serviços e obras, e reposição de profissionais de saúde. Alguns entraves que aparecem no referenciamento dos pacientes para os serviços de média e alta complexidade, dificultam também a prestação do atendimento integral e o acesso do indígena aos seus direitos sociais.

BD: E quais são os destaques da gestão até agora?

Joel Hipólito: Melhorias nas infraestruturas de saúde nas Aldeias respectivas as construções de sistemas de abastecimento de água, Unidades Básicas de Saúde e alojamentos, estruturação do processo de trabalho com ampliação e qualificação de profissionais das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena, aquisição de insumos, materiais e equipamentos, acompanhamento sistemático na execução dos Contratos de Serviços e de mão de obra terceirizada, implementação das ações dos programas de atenção básica desenvolvidas em áreas voltadas a redução dos indicadores de saúde, apoio às ações do Controle Social e o fortalecimento das ações de Educação Permanente.

BD: Para você, quais setores necessitam de maior atenção?

Joel Hipólito: Sustentabilidade alimentar, redução dos indicadores de morbimortalidade, melhorias da Infraestrutura de área, acesso às Aldeias (estradas e pontes), articulação e interlocução setorial no âmbito do estado e municípios adstritos, qualificação profissional e agilidade nas tramitações dos processos de compras e contratações de serviços;

BD: O que esperar dos próximos meses?

Joel Hipólito: O alcance das metas dos Programas de Atenção Básica, redução dos indicadores de saúde, disponibilidade orçamentária suficiente para o pagamento de despesas, aprovação de Projetos de obras para instalação de novos sistemas de abastecimento de água e Unidades Básicas de Saúde e CASAIs, fortalecimento do Controle Social, intensificação das ações de promoção à saúde e estreitamento de parcerias institucionais. Houve também um acordo entre com o Ministério Público Federal (MPF), para que seja realizado uma reunião todo mês no auditório do MPF, onde participarão o Distrito Sanitário Especial Indígena, o procurador Rafael Guimarães e lideranças queiram esclarecimentos e prestação de contas. Esta reunião tem como objetivo a discussão de melhorias para a população indígena.

BD: Qual a sua avaliação da gestão até agora?

Joel Hipólito: Apesar dos desafios impostos às atividades de gestão, o Ministério da Saúde, por meio do Secretário Especial Indígena, tem se mostrado sensível frente a necessidade de investimento e ao diálogo político quanto a melhoria da assistência aos indígenas, prestada por essa Coordenação. Essa condição estreita as relações e promove qualidade no atendimento e na responsabilidade institucional, embora que os aspectos de maior relevância como infraestrutura e redução dos indicadores de saúde somente poderão ser observados a médio e longo prazos, cujo comprometimento dessa Coordenação não tem medidos esforços para seu alcance.

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  • Publicado por Eduardo Baroni, em 2017-07-18 08:20:33

    Pessoas competentes fazem a diferença , prestando um serviço de qualidade , atendendo às necessidades urgentes dessa sofrida população . Já por outro lado , quem não tem essas competências , fazem críticas .Parabéns pelo seu trabalho Joel