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Cidades

Barra Direto com Semana 7 / DA REDAçãO

14/09/2017 14:33:00

Barra do Garças comemora amanhã 69 anos de história

Um breve retrato do passado de um dos núcleos regionais do Araguaia

Montagem: Semana7

Um dos principais municípios da região leste mato-grossense, Barra do Garças, completa amanhã (15/9) 69 anos de emancipação política. Nas quase sete décadas de história própria, a cidade tornou-se um dos núcleos do Araguaia, referência para mais de 30 municípios “satélites”, incluindo um trecho da faixa goiana que beira a bacia em comum.

Nessa data, o município pode comemorar. Ao longo desses 69 anos, Barra do Garças perdeu o título de maior município do mundo em extensão geográfica, para se tornar um polo regional em uma diversidade de áreas. Se perdeu território a partir da emancipação de seus distritos, ganhou êxito em atender os quase 60 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, somados às populações das cidades do leste de Mato Grosso.

Como referência em educação, saúde, comércio e agropecuária, Barra é rota de circulação do povo de toda a região, que chega para estudar na rede universitária, com sete instituições oferecendo cursos superiores, ou consumir no setor de serviços, que movimenta 44% do PIB municipal. A cidade ainda é um marco no caminho de acesso ao estado de Mato Grosso e à Amazônia Legal e essa característica também influência no potencial econômico.

O potencial turístico do munícipio também tem se destacado a nível nacional. Com extensa faixa de praias de água doce na região, em tempo de estiagem, Barra do Garças é mais uma vez beneficiada pela circulação de turistas. Os visitantes aproveitam o acervo de cachoeiras, as trilhas e montanhas, bem como a disposição do parque de águas termais, as Águas Quentes. Em números, segundo a Secretaria de Turismo, a rede de hotelaria chega a 100% de sua capacidade no período de Alta Temporada de Praia.

As conquistas refletem um passado rico em curiosidades e reviravoltas.

Um pouco da história

Antes de tornar-se município, Barra do Garças foi importante vila de garimpo, distrito de Araguayana (ainda grifada com ípsilon). A Lei n° 121, de 15 de setembro de 1948, de autoria do então deputado Heronides Araújo, criou o município e a antiga sede passa, então, à condição de distrito. Uma inversão então inédita na geopolítica mato-grossense.

Descer Araguaiana à condição de distrito causou ranhuras entre políticos da época que tinham à frente o prefeito Antonio Paulo da Costa Bilego. Deixando de lado aquele momento histórico do Araguaia, a história de Barra do Garças começa no final do século 19, quando, em 1897, o desbravador Antonio Cândido de Carvalho encontrou diamantes no rio das Garças. Não demorou para que a região começasse a receber levas de garimpeiros.

Entre esses pioneiros vamos encontrar o fundador da cidade, coronel Antonio Cristino Côrtes, natural de Boa Vista, do Padre João, região do Norte goiano, hoje Tocantinópolis, no Tocantins. De início ele aportou em Registro do Araguaia (Araguaiana) e transferiu-se para Barra do Garças a convite de seu amigo Francisco Bispo Dourado, por volta de 1914, ano em que eclodira a Primeira Grande Guerra.

Empreendedor, o coronel Cristino Cortês se estabeleceu inicialmente com uma sapataria. Tempos depois, a pedido do juiz de direito Deoclesiano de Couto Menezes, assume representação política na Barra Cuiabana. O cargo não lhe sobe à cabeça, ao contrário, ele se mostra um homem de índole bondosa e torna-se popular e, sobretudo, respeitado pelos moradores da vila de garimpos.

Foi naquela época que Cristino Côrtes conhece o engenheiro agrônomo doutor José Morbeck, revolucionário à frente de garimpeiros nordestinos contra o propósito do governador Joaquim Augusto da Costa Marques, que pretendia entregar os garimpos do rio Garças e seus afluentes aos ‘cuidados’ da mineradora inglesa “Cia. Indústria e Comércio”. Doutor Morbeck foi, por assim dizer, a primeira voz a se levantar em defesa dos oprimidos, da gente do povo do Araguaia, Cristino Cortês e Morbeck, se tornam amigos.

Revolução

Ao lado de Francisco Dourado, o coronel Cristino Côrtes assume a condição de garimpeiro, dado a facilidade de se encontrar diamantes no Garças. A sorte caminhava ao lado da dupla que ajuntou um patrimônio significativo, anos antes de eclodir a Revolução Garimpeira entre Morbeck e Carvalinho, um conflito que se estendeu de Alto Araguaia, passou por Barra do Garças, Poxoréo, Tesouro, Guiratinga, Cassununga, Batovi, Alcantilado, entre outras praças de garimpos.

Doutor Morbeck era diretor da Repartição de Terras, Minas e Colonização do Estado, por conhecer a realidade local foi contra a determinação do presidente do Estado, Costa Marques, a de entregar os garimpos aos cuidados exclusivos da mineradora inglesa. Essa medida, caso tivesse sido posta em prática afetaria a vida de pelo menos 15 mil garimpeiros somente na bacia do Garças e de seus tributários.

Carvalhinho era Delegado Especial de Arrecadação de Impostos no Garças e Araguaia. Tributos das minas garimpeiras. Não tardou para que os dois declarassem guerra. Morbeck sentiu a trama que o governo armava contra os garimpeiros com apoio de seu compadre Carvalhinho. Sim, eles eram compadres, amigos.

Morbeck rompe com Carvalhinho em um hotel onde ambos estavam hospedados no Rio de Janeiro. Morbeck retorna à região do Garças e Carvalhinho a Cuiabá de onde retorna dias depois para o Garças com escolta policial. Estava armada a revolução, a mais expressiva luta de resistência na região, até a histórica reunião na Vila de Cassununga (já extinta) onde foi criada a Liga Garimpeira e assinado um tratado com o governo em 22 de fevereiro de 1925, assinado pelo agrônomo Morbeck, Cândido Soares Filho, Antônio Bonifácio Pires, José de Barros Cavalcante, Joaquim Ferreira Laborão, Salvador Hora, Ondino Rodrigues Lima, Leonardo Cortez e Joaquim de Souza.

Fundação Brasil Central

Antonio Cristino Côrtes dedica-se, depois desse tratado de paz de Cassununga a idealizar a futura cidade de Barra do Garças. Foi ele que alinhou as primeiras ruas, distribuiu lotes à população, a começar pela a avenida que hoje leva seu nome, na região portuária da cidade.

Criada as bases para a cidade é natural que o comércio não poderia ficar à parte. A primeira empresa comercial foi aberta no ano de 1924, por Emiliano Costa (pai daquele que viria ser prefeito de Barra do Garças, Nilo Costa -1967/68). Emiliano tinha como auxiliar Antonio Paulo da Costa Bilego, o primeiro prefeito do município (1947/51), responsável pela transferência da sede do município de Araguaiana para Barra do Garças, que se emanciparia, em 15 de setembro de 1948.

A educação, naqueles dias, não fora negligenciada graças à fundação de uma escola em 1932. Sua primeira professora foi dona Antonia Almada, mais conhecida como dona Nanzica, sem grande formação acadêmica, mas adequada ao posto do magistério daqueles dias que o Centro-Oeste estava por ser desbravado. As grandes cidades do país estavam todas na costa brasileira.

O intricado da história barra-garcense é surpreendente. Em 21 de dezembro de 1935 o Decreto nº 32 cria o Distrito de Paz de Barra do Garças. Naquele mesmo ano o estado abre em Barra do Garças a Escola Rui Barbosa tendo como professor Newton Jerônimo do Carmo. Antes da presença do estado neste setor, as escolas eram custeadas pelo município.

Madalena Lira, filha de Francisco e Ana Lira foi a primeira criança nascida em Barra do Garças, no entanto, o primeiro registro civil coube a Cipriano da Silva, filho de José Sabino da Silveira. Basílio Bispo Dourado foi o primeiro Juiz de Paz de Barra do Garças e Ana Dolores Peres Bilego a primeira escrivã.

O progresso propriamente dito chegou a Barra do Garças a partir dos anos 40 quando o governo de Getúlio Vargas estabelece em Aragarças (GO) um escritório da Fundação Brasil Central (FBC) de onde se direcionava expedições para abertura de estradas lideradas pelo ministro do Interior, João Alberto, e pelos irmãos Villas Boas, Cláudio, Orlando e Leonardo que fizeram história em defesa dos índios da região e responsáveis pela criação do Parque Nacional do Xingu.

Com a presença da FBC (extinta pelo governo militar que se estabeleceria na década de 1960), a região começa a receber aporte de recursos de empreendedores que se estabelecem na cidade e em vilas pelo interior daquele que era um dos maiores municípios do mundo, cuja divisa se estendia até ao estado do Pará. Sua economia, no entanto, era representada ainda, até o início dos anos 1960 na extração de minérios e criação de gado, enquanto sua lavoura era de subsistência.

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